Quem somos nós? Que gato é esse preso no saco?
Quem somos nós?
Pois bem. Comecemos do começo. Todos temos um nome e eu também carrego um. Meu nome é Luís Márcio Pires Alvarenga e farei 42 anos em algum momento de agosto. Minha mãe queria me chamar Luís e meu pai queria me chamar Márcio ou vice-versa e virei Luís Márcio. Coincidência ou não, tanto Luís quanto Márcio são palavras que fazem alusão a “guerreiro”.
Acreditem, nada nessa vida é coincidência! Mas afinal, quem somos nós?
Basta um nome para identificar esse aglomerado de células especializadas e organizadas em tecidos com funções específicas capazes de formar órgãos, sistemas e organismos complexos a partir da reorganização de cadeias de aminoácidos, obtendo energia em processos bioquímicos ancestrais? Então é isso que somos?
Mas se eu disser que somos mais do que isso? Que também somos o lugar onde nascemos e vivemos, ou que também somos o que fazemos, ou o que e quem amamos, e a questão vai ganhando complexidade.

Vivo em São Paulo, mas sou mineiro. Sou essencialmente mineiro com todos os vícios e as virtudes que a mineiridade traz consigo. Sou desconfiado, tímido e obstinado. Carrego comigo a resiliência inata do sertanejo e a humildade complexada do caipira embora eu seja uma pessoa vergonhosamente urbana e sem qualquer ligação com o campo.
Se eu falar das coisas que eu faço ou já fiz a coisa corre o risco de a narrativa sair do controle, já fui muitas coisas e ainda sou todas elas ao mesmo tempo!
Atualmente, sou um médico em formação. Mais precisamente acadêmico do segundo ano do curso de Medicina. Mas foi o último trabalho que tive que talvez seja o maior definidor ou confundidor de minha personalidade: sou agente de Polícia Federal aposentado por invalidez permanente após ser baleado na cabeça numa tentativa de latrocínio em Belém do Pará em 01 de junho de 2016. E assim chegamos ao tal do gato no saco preto.
Ao longo desses anos tenho tentado ressignificar traumas e encontrar sentido e propósito em tudo que aconteceu comigo, e esse blog é dedicado a me ajudar nessa caminhada reflexiva e no meu processo de cura. O objetivo aqui é que eu consiga organizar minhas ideias e voltar a fazer algo que há muito eu estava com muito receio de fazer: me expressar.
Daqui para frente publicarei um texto toda sexta-feira, com temas diversos que permeiam minhas vidas passada, presente e futura. Falarei de Medicina, segurança pública, política, reabilitação neurológica, capacitismo, deficiência física, futebol, música cinema e religiosidade que hoje são os temas que permeiam minha vida.
Falarei cada coisa em seu tempo, pois não há pressa para nada…
E que gato é esse no saco preto?
Recentemente, durante uma sessão de terapia eu descrevi assim a sensação física e visual de estar em coma ou em quase-morte e lutar pela vida. Passados 5 anos do trauma essas sensações e visões voltaram e aprendi a acessar aquele momento voluntariamente a partir de meditação e reviver o trauma e minha trajetória nesse estado de reabilitação permanente. Após uma dessas” visitas” voltei com uma súbita vontade de pintar – mesmo sem saber pintar – uma tela representando as cores e padrões que eu vi e senti durante aquele período.
E este é o semanário “Gato no Saco Preto!” onde toda sexta publicarei uma crônica e mostrarei o estado de construção de um acrílico sobre tela 60×80 cm de mesmo nome. Por enquanto vai só aparecendo um fundo…


Enfim… esse sou eu e esse é meu blog de férias.
Meu nome é Luís Márcio
Eu sou um soldado e preciso de uma guerra para lutar ou sou um animal preso no saco, lutando eternamente pra sair?




Muito bom, camarada! Beijos pra você!
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Que história fantástica! Estarei acompanhando todas as sextas! Abraços!
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Amei a sua história.
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Entrei de gaiata nesse navio e me surpreendi com sua narrativa. Parabéns pela iniciativa e pelo condão de traduzir seus sentimentos em palavras
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kk Cara se esse gato tivesse numa caixa podia ser o gato de schrödinger
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Vi você na faculdade , linda sua luta , além de colega ,ganhou uma leitora !
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Linda história! Meus parabéns!
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Parabéns! Sei muito bem que é preciso ter muita coragem e ânima de vida para voltar lá no \”saco preto \” do coma. E ainda ter a capacidade de ser como um gato, que jamais desiste. Gratidão por compartilhar.
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