Depois de um breve inverno estou de volta. Ainda assimilando o frio de São Paulo depois de algum tempo morando em Belém.
Hoje voltei a pintar as tentar visitar as memórias do coma de 5 anos atrás. Nada falei sobre como foi construir e finalizar a primeira tela.Então já era hora.
O que está ali naquela tela abstrata pintada por um pessoa que nunca soube desenhar e pintar é minha experiência de coma.Não exatamente as imagens que presenciei mas as sensações de náusea, vertigem e sede.Por isso é uma tela desagradável.

quando terminei de pintá-la entendi que o processo havia sido apenas um ensaio. A náusea e a vertigem que eu queria representar estão lá de certa forma.É um quadro desagradável de se ver mas quem disse que só carregamos memórias agradáveis dessa vida?
Hoje entendo que ali está tudo errado em termos de memória visual do coma. Pra começar o Saco Preto não é preto e não é saco. A cada visita ao coma as imagens foram ficando nmais nítidas e as sensações foram mudando. O lugar não é escuro e sim multicolorido formando um fluxo de luz que leva a um desconhecido que por medo ou convicção decidi não visitar.Talvez fosse o outro lado, a tal Morte, mas preferi não conhecê-la pelo simples fato de que consegui encontrar motivos incríveis para continuar minha jornada em vida.Eu tinha a sensação de que eu ainda tinha muita coisa para fazer.Na época era uma sensaçãomas hoje é uma certeza!
Visualmente a segunda tela tende a ser mais agradável. Decidi me aventurar na tinta a óleo por acreditar que ela me daria a fluidez e a abstração mágica que estou buscando.
De fato pintar a óleo é bem mai divertido apesar do trabalho maior.
A tela, sendo a óleo traz um clima de desafio típico deste mês de agosto em que tanta coisa decisiva começã a acontecer em minha vida.Na tela continuarei trabalhando com certos padrões de espirais em sentido alternados e privilegiando uma cor por sessão de pintura.
Aliás hoje foi a primeira vez em que me permiti algumas inovações no protocolo de pintur.Fiz duas cores (azul e violeta) e usei bastante a mão esquerda pela primeira vez na tentativa de fazer meu cérebro entender que ainda possui mão braço esquerdo. Isso tornou a sessão de pintura mais cansativa mas não menos prazerosa.Fiquei satisfeito de ter botado meu cérbro para reconhecer novamente o lado hemiparético para depois quem sabe um dia ele conseguir novamente fazer uso do meu lado esquerdo.
Por outro lado, se com a pintura eu sei que caminho seguir, quanto a escrever não sei o que fazer por aqui pois tenho a sensação de que tudo que criei depois do coma das sequelas é muito mais “vomitado ” do que criado.Mas agora eu estou me cansando de vomitar coisas e queria buscar alguma beleza e harmonia no que pinto e no que escrevo.
Seguirei tentando…
saravá e até a próxima sessão de pintura!

