Nesse último post do ano, cumprirei uma promessa que fiz há muito tempo: abordar de forma mais séria o tema mais caro de minha vida desde que adquiri minha deficiência física em 2016
Quem não me conhece e bate o olho em mim pela primeira vez logo vê que alguma coisa está errada.
Eu tenho hemiparesia espástica à esquerda, uma sequela neurológica de um tiro que levei na cabeça em 2016.
Contei essa história aqui no primeiro post do blog.
Essa condição faz com que eu tenha u fraqueza muscular e alteração na sensibilidade de todo o lado esquerdo do meu corpo. Isso dificulta minha marcha e no momento tira da a função de meu braço e mãos esquerdos.
Se permanecerei assim para sempre ou se voltarei a ter a condição física que eu tinha antes do tiro só o tempo, a ciência e a minha fé poderão dizer. Mas independente disso o fato é que estou deficiente.


Mas PCD, deficiente, PNE ou aleijado?
Estar deficiente nos leva à primeira questão quando o assunto é capacitismo. Como devo ser chamado? Como pessoas como eu devem ser denominadas?
Há quem fique constrangido de se referir a mim ou a qualquer pessoa como “deficiente”. Deve haver alguém que fique ofendido em ser chamado assim mas falando apenas por mim posso dizer que não fico ofendido e até mesmo me autodenomino assim na maior parte das vezes.
Mas como a gente não pode ser resumido apenas ao que possuímos ou a nossas características físicas estabeleceu-se por politicamente correto usar a sigla PCD – Pessoa com Deficiência.
Logo em seguida a abordagem tida como politicamente correta demonstrou capacitismo ao tentar emplacar uma outra sigla sem usar a palavra “deficiência” por acreditar que deficiência e inferioridade seriam palavras sinônimas. E assim surgiu a sigla PNE – Portador de Necessidades Especiais. Essa sim me soa como uma denominação altamente capacitista e ofensiva.
E por quê? Simplesmente porque minhas necessidades não são especiais, e sim tão normais e básicas quanto as de qualquer pessoa normal! Minhas necessidades são: comer beber, trabalhar, ter amigos esposa e filhos como qualquer pessoa tida como normal.
Mas é verdade que vivemos no Brasil um período de trevas intelectuais onde o poder vigente nos incentiva a ser politicamente incorretos. Portanto, se você é partidário dessa extrema-direita neofascista racista e misógina que nos governa não me admira se você me xingar de “aleijado”.É como me xingo quando estou frustrado e com raiva de mim e também a pior ofensa que alguém pode receber pois ela carrega um capacitismo tão forte que ela pressupõe uma percepção coletiva de que ter um membro disfuncional significa ser um pessoa inferior.
O que é capacitismo?
Temos muitas coisas par conversar sobre capacitismo mas vamos começar tentando defini-lo. Por enquanto não lançarei mão do que a academia já escreveu sobre esse assunto mas tentarei fazer uma definição com base no que a experiência de ter adquirido uma deficiência ao longo da vida.
Mais do que um mero preconceito contra os PCD’s o capacitismo é a presunção de incapacidade que se tem de uma pessoa que porta uma deficiência adquirida ou congênita.
Está dada a definição e nas próximas semanas tentarei dmonstrá-la com exemplos um pouco mais práticos.

Até lá, camaradas!
